A viagem de curso do 12.º PS16 realizou-se de 4 a 8 de abril. Após 3 anos de trabalho árduo, optou-se pela cidade de Cracóvia, na Polónia, pelo seu enorme valor cultural e beleza, mas também por ser uma cidade animada e barata comparativamente com outras cidades europeias.

Nos dois primeiros dias, percorremos a pé o centro histórico da zona velha da cidade. Visitámos a Cidadela de Wawel, com o seu imponente castelo, a Praça do Mercado, onde circulámos e comprámos lembranças no mercado dos tecidos, e o bairro judeu. O bairro judeu, onde foi criado, durante o Holocausto, o Gueto de Cracóvia, é um dos testemunhos da invasão nazi durante a II Guerra Mundial e do martírio por que passaram os judeus de Cracóvia durante este período. A fábrica de Oskar Schindler faz parte da história polaca e, como não poderia deixar de ser, foi um dos locais visitados. Oskar Schindler, um hábil homem de negócios afiliado do Partido Nazi, deslocou-se para Cracóvia durante a ocupação nazi com o objetivo de enriquecer, mas acabou por usar a sua fortuna para salvar mais de 1200 judeus dos campos de extermínio. Atualmente a Fábrica de Schindler abriga uma exposição permanente intitulada “Cracóvia sob a Ocupação Nazi entre 1939 e 1945”.

A visita aos campos de Auschwitz e de Birkenau foi um momento marcante da nossa viagem. O Memorial do Campo de Concentração de Auschwitz, como o denominam, é muito mais do que um Campo de Concentração. No único acesso ao interior lê-se “Arbeit macht frei”. Significa “O trabalho liberta”, levando os prisioneiros que ali chegavam a pensar que haveria esperança de sobrevivência se trabalhassem muito e bem. Na verdade, não havia! O museu que visitámos é um testemunho real, chocante, com exposições fotográficas, objetos pessoais dos prisioneiros, como cabelo (usado para fazer colchões durante o regime nazi), botas e sapatos, malas e próteses em quantidades imensas. Muitas das infraestruturas existentes na altura estão preservadas porque os nazis, ao contrário do que aconteceu noutros locais, não tiveram tempo de destruir o complexo antes de fugirem. É possível ver os edifícios dos oficiais nazis, dos médicos que faziam experiências com os prisioneiros, alguns casebres, uma forca, paredes de fuzilamento, câmaras de gás e fornos crematórios. Neste campo, chegaram a estar quase 20 000 prisioneiros. Uma visita que não deixa ninguém indiferente!

O campo de extermínio de Birkenau (Auschwitz II), com 200 hectares, constitui uma ampliação do campo de Auschwitz, destinado ao extermínio em massa dos judeus, minorias e presos políticos. O campo tem ainda vários barracões preservados, com latrinas e compartimentos onde os prisioneiros dormiam amontoados, valas comuns, fornos crematórios e câmaras de gás, apesar de a maioria ter sido destruída pelos nazis, numa tentativa desesperada de ocultar as atrocidades que ali eram praticadas. O campo está cercado por torres de vigia e fortes paredes de arame farpado, que na altura eram eletrificadas, tal como acontece em Auschwitz. Neste campo, chegaram a estar mais de 90 000 prisioneiros.

Terminámos a nossa viagem cultural nas Minas de Sal de Wieliczka, formadas numa altura em que esta região continental estava submersa por águas salinas pouco profundas e quentes. Durante muito tempo, a extração e venda de sal foi uma das atividades económicas mais rentáveis do país.

Ao longo da viagem, foram frequentes sentimentos como tristeza, incompreensão, respeito e solidariedade que, de alguma forma, contribuíram para a consciencialização da necessidade de respeitar a vida humana e a diversidade de ideologias, bem como para o reconhecimento dos perigos associados às ideias extremistas e xenófobas.

Agradecemos o apoio da Câmara Municipal de Ourém, que garantiu a deslocação dos nossos alunos para o aeroporto e o seu regresso.

 

 

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