À semelhança de anos letivos anteriores, nas II Jornadas Culturais do Agrupamento de Escolas de Ourém, as docentes de educação especial centraram a sua atuação na promoção da inclusão dos alunos com neecp, em articulação com a direção, outros docentes, técnicos, assistentes operacionais e alunos.
Nos dois dias das jornadas, as docentes de educação especial colaboraram no acompanhamento aos alunos com mobilidade reduzida, permitindo-lhes que usufruíssem das atividades juntamente com as suas turmas; acompanharam turmas na dinamização das atividades propostas no âmbito das jornadas culturais; asseguraram turmas do primeiro ciclo do ensino básico, permitindo que as docentes titulares de turma se deslocassem à escola sede com os alunos do 4.º ano de escolaridade; e por último, mas não menos importante, dinamizaram atividades diversificadas na unidade de multideficiência/sala de educação especial, contando para isso com a colaboração das técnicas do Centro de Reabilitação e Integração de Fátima (CRI-CRIF).
A sala C007 foi organizada em sete espaços, cada um com atividades centradas em diferentes áreas do desenvolvimento, nomeadamente comunicação, comportamento (sócio emocional), cognição, motricidade (sensório motor) e autonomia.
Num primeiro espaço dinamizou-se uma sequência de atividades de vida diária no “quarto” e na “cozinha” (despir/vestir bebé: treino de motricidade fina com fechos, atacadores, velcro, molas…; fazer a cama; preparar um pequeno almoço/lanche saudável: que incluiu fazer uma sandes de manteiga/doce e espremer uma laranja para fazer sumo; tomar o pequeno almoço/lanche; lavar a louça utilizada e arrumar a cozinha).
Noutros espaços exploraram-se livros e software "inclusivo", realizaram-se jogos com utilização da escrita em braille e da língua gestual portuguesa; pintaram-se telas com digitinta; desenvolveram-se competências linguísticas (com a terapeuta da fala do CRI); treinou-se a mobilidade num circuito percorrido com os olhos vendados, trabalhando a orientação e a confiança no colega que dava as instruções para se deslocar no circuito.
No gabinete (sala C008), criou-se uma pequena “Sala Snoezelen” (com intervenção da terapeuta ocupacional e da fisioterapeuta do CRI) onde se desenvolveram sessões de relaxamento e estimulação multissensorial, espaço que se revelou um verdadeiro sucesso, com demonstrações de agrado por parte de alunos, docentes, pessoal não docente e outros visitantes da comunidade.
Para os mais curiosos, damos a conhecer que a palavra holandesa Snoezelen resulta da contração de SNUFFELEN = cheirar, com DOEZELEN = relaxar. O conceito de SNOEZELEN foi definido no fim dos anos setenta por dois terapeutas holandeses, Jan Hulsegge e Ad Verheul. Enquanto trabalhavam no De Hartenberg Institute, na Holanda, um centro para pessoas com défices mentais, os dois terapeutas perceberam respostas positivas que se conseguiam suscitar nos seus doentes, quando eram inseridos num ambiente sensorial que tinham preparado. Daí para a frente, a curiosidade e reconhecimento de toda a comunidade mundial, levou a que hoje as salas Snoezelen estejam presentes em Hospitais, Lares, Instituições de apoio a pessoas com défices vários de desenvolvimento, demências, etc, um pouco por todo o mundo. Sala Snoezelen é "uma sala equipada com material para estimulação sensorial. É um local feito de luz, sons, cores, texturas e aromas, onde os objetos são coloridos e disponibilizados para serem tocados e admirados. Os sentidos primários são estimulados dando sensação de prazer” (Amcip 2009, consultado, in http://www.forbrain.pt/sala-snoezelen/descricao/).
As diferentes atividades dinamizadas permitiram a todos os que a visitaram não só conhecer melhor o espaço da Unidade de Multideficiência/Sala de Educação Especial, como também partilhar experiências; desenvolver a autonomia em tarefas relacionadas com a rotina diária; desenvolver a lateralidade; conhecer formas de comunicação alternativa; perceber as dificuldades sentidas pelas pessoas com deficiência; desenvolver a consciência fonológica e as competências linguísticas; promover o relaxamento, o lazer, a diversão e as emoções positivas; estimular os sentidos: tato, olfato, visão, audição e degustação; promover a estimulação sensorial; diminuir os níveis de tensão/ansiedade através do relaxamento…
Foram dois dias que permitiram, essencialmente, mostrar à comunidade algumas atividades desenvolvidas diariamente na unidade de multideficiência/sala de educação especial, onde os visitantes puderam partilhar e apercebendo-se de algumas das dificuldades permanentes sentidas pelos jovens portadores de necessidades educativas especiais. Sem dúvida uma experiência a dar continuidade!

Na EB.2.3 da Freixianda realizaram-se diversas atividades no âmbito das II Jornadas Culturais do Agrupamento.
As docentes de Educação Especial, juntamento com alguns dos alunos com Currículo Específico Individual, dinamizaram com alunos do pré-escolar, 1º, 2º e 3º ciclos várias atividades tais como: “Dar asas à criatividade” em que os alunos, ao som de música, criaram um desenho coletivo usando o sentido da audição como motivação; “Jogo dos Sentidos”, no qual os alunos, através do tato e com os olhos vendados, descobriram as diversas texturas e objetos que estavam em cada uma das seis caixas (lixa, algodão, farinha, ráfia, tampas de garrafas e lã); “Marcador de livros”, “ Exploração de software”; “Pintura de telas com digitinta” e “ Jogos de exploração de competências linguísticas”.
As atividades dinamizadas permitiram contribuir para a formação de hábitos e atitudes, para o desenvolvimento de valores e, acima de tudo, para construir uma aprendizagem significativa com o objetivo de complementar as abordagens feitas em sala de aula.